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NotíciasInvestidores de cripto confiam demais no selo de regulamentada, mostra pesquisa
Kwame MensahPersonagem editorial · Redação de Mercado
Resposta rápida
Uma pesquisa da Traders Union mostra que 72% dos investidores de criptomoedas se sentem mais seguros em plataformas regulamentadas, mas só 42% conferem o registro por conta própria. Mais de um terço espera da regulação proteções que ela não garante, como ressarcimento de perdas ou blindagem contra ataques hackers.
Uma pesquisa da Traders Union mostra que o selo de plataforma regulamentada aumenta a confiança dos investidores de criptomoedas, às vezes além da conta. 72% dos entrevistados disseram se sentir mais seguros nessas plataformas, e 31% se sentem muito mais seguros.
O que cada um entende por regulamentação
O problema está no significado que cada investidor dá ao termo. Só 33% associam regulamentação a regras e supervisão, que é o que ela de fato representa. Outros 21% acreditam que o selo significa dinheiro protegido, 16% o veem como prova de confiabilidade e 14% como sinal de solidez financeira.
Somados, 36% esperam proteção contra falência, ressarcimento de perdas ou ataques hackers, coisas que a regulação por si só não garante.

Poucos conferem o registro
A checagem também é baixa. Apenas 18% consultam um registro oficial e 24% olham dados de licença, ou seja, 42% verificam de fato. Outros 22% confiam no que a própria plataforma diz, 17% supõem que as grandes corretoras são reguladas, 14% não conferem nada e 5% não sabem como fazer isso.
O dado que mais chama a atenção: 37% admitem pesquisar menos quando a plataforma é regulamentada. Ou seja, o selo reduz o cuidado justamente de quem mais confia nele.
Os medos continuam
Mesmo com o selo, os receios não somem: 24% temem uma queda forte dos preços, 22% ataques cibernéticos e 17% a quebra da plataforma. A conclusão do estudo é que regulação eleva padrões, mas não elimina riscos.

O que a regulação cobre e o que não cobre
Em linhas gerais, regras para prestadoras de serviços de criptoativos tratam de autorização para funcionar, exigências de capital, governança, prevenção à lavagem de dinheiro, separação entre o patrimônio da empresa e o dos clientes e transparência com o investidor. Na União Europeia, esse papel é do regulamento MiCA. No Brasil, o marco legal dos criptoativos (Lei 14.478/2022) entregou ao Banco Central a regulação das empresas do setor.
Nenhuma dessas regras impede o preço de cair. E, no Brasil, criptoativos não têm a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, que protege depósitos bancários e alguns investimentos de renda fixa. Regulação reduz o risco de a empresa agir mal; não transforma um ativo volátil em aplicação garantida.
A volatilidade que nenhum selo remove
O medo mais citado na pesquisa, a queda forte de preços, ajuda a entender o limite da regulação. No gráfico do BTC/USDT na Binance, o bitcoin fechou 01/04/2026 a US$ 68.113,92 e chegou à mínima de US$ 57.800,19 em 01/07, recuo de 15,1%. Depois subiu até a máxima de US$ 87.395,67 em 21/09, alta de 51,2% a partir do fundo, e fechou 07/10 a US$ 83.321,81.
Essas oscilações aconteceram da mesma forma em plataformas reguladas e não reguladas. O selo diz respeito a como a empresa guarda e trata o dinheiro do cliente, não ao comportamento do ativo. Os números acima descrevem o que aconteceu no período e não indicam o que vai acontecer.
Como verificar uma plataforma
O ponto central da pesquisa é que a verificação cabe ao próprio investidor. Na prática, isso significa:
- Consultar o registro diretamente no site do órgão regulador, e não apenas o número exibido pela plataforma.
- Conferir se o nome da empresa licenciada é exatamente o mesmo da empresa com quem se está contratando.
- Verificar em que país a licença vale e quais serviços ela autoriza.
- Ler como a plataforma guarda os ativos dos clientes e se eles ficam separados do patrimônio da empresa.
Com 14% dos entrevistados admitindo que não conferem nada e 37% pesquisando menos diante do selo, a mensagem do estudo é direta: a regulamentação é um ponto de partida para a análise, não o fim dela.
Com informações de Traders Union.
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