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AçõesComo usar um screener de ações para encontrar oportunidades
Kwame MensahPersonagem editorial · Redação de Mercado
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Um screener de ações é um filtro que aplica critérios objetivos, como volume médio, volatilidade, variação de preço, tendência e setor, a milhares de papéis de uma vez e devolve só os que passam em todos. O segredo é usar poucos filtros, na ordem certa: primeiro os que garantem que a ação é negociável (liquidez), depois os que combinam com o seu estilo (volatilidade e tendência). O resultado é uma lista para estudar, não uma lista de compras.
Só na bolsa americana há milhares de ações listadas. Ninguém consegue abrir o gráfico de todas, todos os dias. O screener resolve esse problema invertendo a lógica: em vez de procurar uma ação e depois ver se ela serve, você diz o que precisa e a ferramenta mostra quem atende. Quase toda plataforma de gráficos e muitos sites financeiros oferecem um screener gratuito com os filtros básicos.
Neste guia explicamos quais filtros usar e em que ordem, e fazemos um exemplo com dados reais de 19 ações americanas, calculados com as cotações diárias até 07/10/2026.
O que é um screener de ações
É uma tabela de ações com colunas de dados (preço, volume, variação, indicadores, setor, valor de mercado) em que você define condições para cada coluna. Uma condição como volume médio acima de 1 milhão de ações por dia elimina na hora tudo o que é pouco negociado. Somando três ou quatro condições, uma lista de milhares de papéis cai para algumas dezenas, ou até menos.

Quais filtros usar no screener
1. Liquidez: volume médio
É o primeiro filtro, sempre. Ação com pouco volume tem spread largo, dá saltos e pode ser difícil de vender na hora que você quer. Use o volume médio de 20 ou 50 dias, não o do dia, que pode ser distorcido por um evento isolado.
2. Volatilidade: ATR em porcentagem
O ATR mede quanto a ação anda por dia; dividido pelo preço, vira porcentagem e permite comparar uma ação de US$ 20 com outra de US$ 1.000. Quem faz operações curtas costuma querer volatilidade suficiente para o preço andar; quem prefere menos sustos limita o máximo.
3. Variação e tendência
A variação em 3 meses e a posição do preço em relação à média móvel de 50 dias mostram se a ação está em alta, em baixa ou de lado. Filtrar por isso ajuda a operar a favor do movimento predominante.
4. Setor e outros filtros
Setor, valor de mercado, proximidade da máxima de 52 semanas e data de resultados também são úteis. Excluir empresas que divulgam balanço nos próximos dias, por exemplo, evita saltos inesperados.
Exemplo prático: de 19 ações para 4
Pegamos 19 ações americanas conhecidas e calculamos, com os dados diários até 07/10/2026, o volume médio de 20 pregões, a amplitude média dos últimos 14 pregões em porcentagem do preço (uma versão simples do ATR), a variação desde 09/07/2026 (63 pregões) e a posição do preço em relação à média de 50 dias.
Filtro 1: volume médio de pelo menos 20 milhões de ações
Saem cinco papéis: Eli Lilly (2,2 milhões), Baidu (2,3 milhões), Vertiv (5,1 milhões), IBM (5,9 milhões) e GameStop (10,2 milhões). Note que liquidez não tem a ver com tamanho da empresa: a Eli Lilly, com a ação a US$ 1.188,72, negocia poucos papéis por dia porque cada um custa caro. Num screener real, filtrar pelo volume financeiro (ações × preço) corrige essa distorção. Restam 14.
Filtro 2: amplitude diária entre 2% e 3,5% do preço
Sai a Apple, a mais calma do grupo, com 1,86%. Saem também as mais nervosas: IonQ (6,52%), Micron (4,00%), Oracle (3,97%), Meta (3,96%) e AMD (3,67%). Restam 8: Amazon (2,04%), Nvidia (2,17%), Microsoft (2,25%), Alphabet (2,55%), Netflix (2,56%), Tesla (2,94%), Petrobras ADR (3,04%) e Nike (3,41%).
Filtro 3: preço acima da média de 50 dias e alta em 3 meses
Alphabet (−2,3%), Tesla (−7,1%), Netflix (−7,6%) e Nike (−19,7%) caíram no período. Restam 4: Petrobras ADR (+40,9%, a US$ 23,99), Microsoft (+37,8%, a US$ 529,76), Nvidia (+17,1%, a US$ 237,47) e Amazon (+5,2%, a US$ 259,92).
A lista final não diz que essas ações vão continuar subindo. Diz apenas que, em 07/10/2026, elas eram líquidas, tinham volatilidade moderada e estavam em tendência de alta. O próximo passo é abrir o gráfico de cada uma e procurar um ponto de entrada com stop definido.
O filtro ao contrário
Invertendo o filtro 3 (preço abaixo da média de 50 dias e queda em 3 meses), aparecem Baidu (−27,4%), IBM (−25,3%), Vertiv (−23,9%), Nike (−19,7%) e Netflix (−7,6%). É a lista de quem procura operações de venda ou quer evitar papéis em tendência de baixa.

Como usar o screener no dia a dia
Salve os filtros e rode sempre igual
Monte o screener uma vez, salve e rode no mesmo horário, por exemplo depois do fechamento. Mudar os critérios todo dia transforma o filtro em busca por confirmação do que você já queria comprar.
Comece largo e aperte aos poucos
Se a lista vier vazia, afrouxe um filtro por vez. Se vier com 300 nomes, aperte o de liquidez ou o de tendência. Uma lista útil cabe na sua rotina: de 5 a 20 ações para olhar com calma.
Limitações
O screener só enxerga números. Não sabe de notícias, de balanços que vão sair nem de mudanças no negócio da empresa. Os dados também têm atraso, e cada site calcula alguns indicadores de forma um pouco diferente.
Erros comuns ao usar um screener de ações
- Pular o filtro de liquidez e acabar numa ação difícil de vender.
- Empilhar dez filtros até sobrar uma única ação, que passa a parecer especial só por isso.
- Tratar a lista final como recomendação de compra, sem olhar gráfico, notícia e data de resultado.
- Comparar volatilidade em dólares em vez de porcentagem do preço.
- Mudar os critérios toda vez que o resultado não agrada.
- Esquecer que alta passada não garante alta futura: o exemplo acima descreve o que aconteceu até 07/10/2026.
Para praticar, monte um screener com três filtros, rode toda semana e acompanhe na conta demo as ações que aparecerem. Anote o que cada uma fez nas semanas seguintes. Depois de um mês, você saberá quais filtros trazem candidatos úteis para o seu estilo e quais só fazem barulho.
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Personagem editorial da redação Fox On. Os textos são escritos pela equipe com apoio de inteligência artificial; cotações e gráficos vêm de dados reais de mercado. Acompanha o noticiário que mexe com preços: juros, bolsas, empresas e commodities, explicado sem jargão.
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