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MercadoSazonalidade na bolsa: sell in May e o mês de setembro funcionam?
Kwame MensahPersonagem editorial · Redação de Mercado
Resposta rápida
A sazonalidade é a ideia de que certos meses rendem melhor ou pior na bolsa. O ditado sell in May and go away diz que de maio a outubro o mercado americano rende menos, e setembro tem fama de pior mês. Estudos com décadas de dados encontram essas tendências em média, mas nos últimos cinco anos do S&P 500 o semestre de maio a outubro rendeu mais que o de novembro a abril. Sazonalidade é estatística de média, não sinal para operar.
Todo ano, perto de maio e de setembro, voltam as manchetes sobre os meses perigosos da bolsa. O ditado em inglês, que manda vender em maio e voltar só depois, é antigo, e setembro carrega há décadas a fama de mês mais fraco para as ações americanas.
Em vez de repetir o ditado, fizemos a conta com os fechamentos mensais reais do S&P 500 (dados do Yahoo Finance) de outubro de 2021 a setembro de 2026. O resultado ajuda a entender o que a sazonalidade é, e principalmente o que ela não é.
O que é sazonalidade na bolsa
Sazonalidade é um padrão que se repete em determinadas épocas do ano. Em mercados agrícolas ela tem causa física, como safra e entressafra. Nas ações, as explicações propostas são mais frágeis: férias de verão no hemisfério norte com menos volume, rebalanceamento de fundos no fim de trimestre, resgates e ajustes fiscais no fim do ano, fluxo de bônus em janeiro.
Os efeitos mais citados são três: o sell in May, que compara o semestre de maio a outubro com o de novembro a abril; a fraqueza de setembro; e o rali de fim de ano, entre novembro e dezembro.

Como calcular a sazonalidade
A conta é simples: pegue o fechamento do último pregão de cada mês, calcule a variação sobre o mês anterior e agrupe por mês do calendário. Para o sell in May, compare o fechamento de abril com o de outubro do mesmo ano, e o de outubro com o de abril do ano seguinte.
O que os últimos cinco anos do S&P 500 mostram
De maio a outubro (fechamento de abril até fechamento de outubro):
- 2022: de 4.131,93 para 3.871,98 pontos, −6,29%
- 2023: de 4.169,48 para 4.193,80, +0,58%
- 2024: de 5.035,69 para 5.705,45, +13,30%
- 2025: de 5.569,06 para 6.840,20, +22,83%
- Média dos quatro anos completos: +7,61%
De novembro a abril (fechamento de outubro até fechamento de abril):
- 2021/22: −10,28%; 2022/23: +7,68%; 2023/24: +20,07%; 2024/25: −2,39%; 2025/26: +5,39%
- Média dos cinco períodos: +4,09%
Nesta amostra, o semestre que deveria ser fraco rendeu mais. E maio, o mês de vender segundo o ditado, subiu nos cinco anos: +0,01% em 2022, +0,25% em 2023, +4,80% em 2024, +6,15% em 2025 e +5,15% em 2026.
E setembro?
Setembro teve a pior média mensal da amostra, −1,82%, com quedas em 2022 (−9,34%), 2023 (−4,87%) e 2026 (−0,45%), e altas em 2024 (+2,02%) e 2025 (+3,53%). A média negativa vem quase toda de dois anos ruins; em três de cinco, setembro foi neutro ou positivo.
E o rali de fim de ano?
Novembro foi o melhor mês da amostra, com média de +3,87% e alta em quatro de cinco anos: −0,83% em 2021, +5,38% em 2022, +8,92% em 2023, +5,73% em 2024 e +0,13% em 2025. Dezembro, que também costuma entrar no pacote do rali de fim de ano, teve média de apenas +0,07%, com altas em 2021 e 2023 e quedas em 2022, 2024 e 2025. Ou seja, dentro do mesmo efeito sazonal, um mês confirmou a fama e o outro não.
Exemplo real: o S&P 500 de abril a outubro de 2026
O gráfico mostra o índice com a média móvel de 50 dias. Quem tivesse seguido o ditado e vendido no fechamento de abril, a 7.209,01 pontos, teria ficado de fora de uma alta de 6,14% até o fechamento de setembro, a 7.651,54 pontos. Em 07/10 o índice fechou a 7.801,77 pontos, perto da máxima do período, de 7.844,52 em 06/10.
Setembro de 2026 terminou com leve queda de 0,45%, em linha com a fama do mês, mas o recuo foi pequeno e a média de 50 dias continuou subindo, chegando a 7.680,46 pontos em 07/10. A sazonalidade acertou a direção do mês e errou completamente a do semestre.

Como usar a sazonalidade
Como contexto, não como gatilho
Saber que setembro tem histórico mais fraco pode servir para revisar o tamanho das posições ou a distância dos stops. Não serve para vender tudo no fim de agosto: a média esconde anos de alta, e ficar fora do mercado também tem custo.
Desconfie de amostras pequenas
Cinco anos dão cinco observações por mês. Um único ano extremo, como setembro de 2022, puxa a média inteira. Estudos com décadas de dados encontram o efeito de setembro e a vantagem do semestre de novembro a abril, mas com variação enorme de um ano para outro. Média de longo prazo e resultado do próximo ano são coisas diferentes.
Teste antes de confiar
Se quiser usar um padrão sazonal numa estratégia, teste-o em vários períodos, inclua custos de operação e compare com simplesmente ficar comprado. Muitos padrões que aparecem no passado desaparecem quando passam a ser conhecidos e operados.
Limitações
A sazonalidade ignora o que de fato move o preço: juros, lucros, expectativas e choques. Um ano com recessão ou com corte de juros domina qualquer efeito de calendário. E o que vale para o S&P 500 não vale automaticamente para o Ibovespa, para moedas ou para criptomoedas.
Erros comuns sobre sazonalidade
- Vender a carteira em maio só por causa do ditado, sem nenhum outro motivo.
- Tratar a média de setembro como previsão para o setembro deste ano.
- Tirar conclusões de cinco ou dez observações, onde um ano extremo muda tudo.
- Esquecer os custos de sair e voltar ao mercado, que reduzem qualquer vantagem estatística.
- Aplicar o padrão de um índice americano a outros mercados sem testar.
- Esquecer que os números acima descrevem o que aconteceu, não o que vai acontecer.
Para tirar a sua própria conclusão, baixe os fechamentos mensais do índice que você acompanha, calcule a variação de cada mês e anote, na conta demo, o que aconteceria se você seguisse um padrão sazonal durante alguns meses. Comparar o resultado com o de simplesmente ficar comprado costuma encerrar a discussão.
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