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ETFs e índicesFTSE 100: como negociar o índice da bolsa de Londres
Kwame MensahPersonagem editorial · Redação de Mercado
Resposta rápida
O FTSE 100 reúne as 100 maiores empresas da bolsa de Londres e é dominado por bancos, petróleo, mineração, consumo básico e farmacêuticas, com pouca tecnologia. Como a maior parte da receita dessas empresas vem de fora do Reino Unido, libra fraca tende a ajudar o índice, embora em 2026 os dois tenham andado na mesma direção em 5 de 9 meses. O pregão vai das 8h às 16h30 de Londres: das 4h às 12h30 de Brasília no horário de verão britânico e das 5h às 13h30 no resto do ano.
O FTSE 100, chamado no mercado de Footsie, é o principal índice da bolsa de Londres e um dos mais acompanhados da Europa. Para quem está no Brasil, ele tem duas vantagens práticas: negocia de madrugada e de manhã, antes e durante a abertura do mercado brasileiro, e tem uma composição muito diferente da bolsa americana, carregada de tecnologia.
Este guia mostra o que há dentro do índice, por que a libra pesa no resultado, em que horário ele negocia e, com as cotações diárias reais do Yahoo Finance, como foi 2026. Os números descrevem o que aconteceu, não o que vai acontecer, e nada aqui é recomendação de compra ou venda.
O que é o FTSE 100 e quais setores dominam
O índice reúne as 100 empresas de maior valor de mercado listadas em Londres, ponderadas por esse valor e revisadas a cada trimestre. A composição é bem tradicional:
- Bancos e seguradoras: HSBC, Barclays, Lloyds e outros grandes nomes financeiros.
- Energia: Shell e BP, gigantes do petróleo e do gás.
- Mineração: Rio Tinto, Glencore e Anglo American, ligadas a metais e à demanda chinesa.
- Consumo básico: Unilever, Diageo e as fabricantes de tabaco.
- Saúde: AstraZeneca e GSK, entre as maiores do índice.
A tecnologia quase não aparece. Por isso o FTSE 100 costuma ir bem quando petróleo, metais e bancos estão em alta, e ficar para trás quando o mercado corre atrás de empresas de crescimento.

Por que o FTSE 100 reage à libra
Estimativas de mercado costumam apontar que cerca de três quartos da receita das empresas do índice vêm de fora do Reino Unido. Essas vendas são feitas em dólar, euro e outras moedas, e convertidas para libra no balanço. Quando a libra se enfraquece, cada dólar faturado vale mais libras, e o lucro reportado sobe. Por isso, a relação clássica é inversa: libra fraca, índice mais forte.
Essa relação, porém, não é mecânica. Em 2026, comparando os fechamentos de cada mês, o FTSE 100 e o GBP/USD andaram na mesma direção em 5 de 9 meses. Fevereiro mostrou a relação clássica: o índice subiu 6,72% e a libra caiu 2,28%. Março mostrou o contrário: num mês de aversão a risco, o índice caiu 6,73% e a libra, 2,36%. Quando o medo é global, tudo o que é visto como risco cai junto.
O mesmo índice em outra moeda
Para um investidor em dólar, o resultado depende das duas coisas. O FTSE 100 subiu 5,31% de 31/12/2025 (9.931,4 pontos) a 07/10/2026 (10.458,5 pontos). No mesmo período, a libra caiu de US$ 1,3467 para US$ 1,3267. Convertido em dólar, o ganho do índice cai para 3,74%.
Exemplo real: o FTSE 100 com as médias de 20 e 50 dias
O gráfico mostra os candles diários do FTSE 100 com as médias móveis exponenciais de 20 dias (azul) e de 50 dias (laranja). Três trechos resumem o ano.
Fevereiro e março: do recorde à correção
O índice fez a máxima de fechamento do período em 27/02, a 10.910,6 pontos. Em 03/03 caiu 2,75%, a maior queda diária do ano, e em 23/03 fechou a 9.894,2 pontos, 9,32% abaixo do topo; no mesmo intervalo, o S&P 500 caiu 4,33%. A média de 20 cruzou a de 50 para baixo só em 24/03, com o índice a 9.965,2, praticamente no fundo. Nos dez pregões seguintes o FTSE subiu 6,41%: o sinal de baixa chegou atrasado.
Abril a julho: recuperação com sinais falsos no meio
Em 08/04 o índice subiu 2,51%, a maior alta diária do ano, e a média de 20 voltou a cruzar a de 50 para cima, com o FTSE a 10.608,9. Entre maio e junho, com o mercado de lado, as médias se cruzaram seis vezes em cerca de um mês, três para cada lado. Em 31/07 o índice marcou a máxima intradiária do período, 10.989,5 pontos.
Setembro e outubro: perda de força
As duas médias atingiram o ponto mais alto em 08/09. Em 30/09, a média de 20 cruzou a de 50 para baixo com o índice a 10.606, e o FTSE fechou 07/10 a 10.458,5 pontos, 3,77% abaixo do fim de julho.

Como negociar o FTSE 100
Horário em Brasília
A bolsa de Londres negocia das 8h às 16h30 no horário local. O Reino Unido adota horário de verão do fim de março ao fim de outubro, e o Brasil não. Na prática:
- Com o horário de verão britânico: das 4h às 12h30 de Brasília.
- No resto do ano: das 5h às 13h30 de Brasília.
- A abertura costuma concentrar o maior movimento; à tarde de Londres, a abertura de Nova York também mexe com o índice.
Contratos derivativos do índice podem ter horário estendido, então confira a grade da plataforma que você usa.
Olhe petróleo, metais e libra
Com tanto peso em energia e mineração, os preços do petróleo e dos metais ajudam a explicar o dia do índice. A libra entra na conta da receita convertida, e decisões do Banco da Inglaterra sobre juros afetam bancos e moeda ao mesmo tempo.
Limitações
Cruzamentos de médias funcionam melhor em tendência clara e falham em mercado lateral, como entre maio e junho. A volatilidade do FTSE em 2026 foi moderada: desvio padrão diário de 0,77%, contra 0,82% do S&P 500. Isso não impede quedas rápidas, como a de quase 10% em menos de um mês em março.
Erros comuns ao negociar o FTSE 100
- Esquecer a mudança do horário de verão britânico e chegar uma hora atrasado à abertura.
- Tratar o FTSE como se fosse uma bolsa de tecnologia: a composição é de setores tradicionais.
- Supor que libra fraca sempre faz o índice subir: em março de 2026, os dois caíram juntos.
- Operar cada cruzamento de médias em fase lateral.
- Ignorar o efeito da moeda quando o resultado é medido em dólar ou em real.
- Ler o gráfico de 2026 como previsão: ele mostra o que aconteceu, não o que vai acontecer.
Para praticar, abra na conta demo o gráfico diário do FTSE 100 com as médias de 20 e 50 dias e, ao lado, o do GBP/USD. Anote, durante algumas semanas, o que o índice fez na abertura de Londres e nos dias de movimento forte da libra. O seu registro vai mostrar quando a relação clássica apareceu e quando falhou.
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